Segundo Flávio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, a curva de juros passou a embutir 80% de probabilidade de uma terceira alta da taxa básica em julho, de 25 pontos-base. Na semana passada, essa hipótese era quase nula.
Dados publicados mais cedo mostraram que a taxa de desemprego no trimestre terminado em fevereiro foi de 6,8% - a menor para este período desde 2014, porém ligeiramente mais alta que a observada no trimestre até janeiro (6,5%). Além disso, no mês passado a economia brasileira criou 431.995 novos postos de trabalho formais, resultado que superou as previsões mais otimistas do mercado, que apontavam a criação de no máximo 330 mil vagas.
Carlos Lopes, economista do banco BV, afirmou que estes e outros indicadores publicados recentemente sugerem que o Brasil enfrentará pressões inflacionárias importantes - ainda que a leitura mais recente do IPCA-15, divulgada ontem, tenha ficado abaixo do previsto.
Lopes prevê que o Copom aumentará a Selic em 50 pontos-base em maio e em 25 pontos em junho, mas acredita na possibilidade de um terceiro aumento se a desaceleração econômica esperada pelo Banco Central não se concretizar. "No restante dos indicadores não há grandes motivos para o Banco Central parar. As expectativas de inflação estão piorando, as previsões do BC não indicam convergência da inflação à meta. A gente continua vendo crescimento da ocupação e alta expressiva da renda", avaliou.
Nicolas Gass, sócio da GT Capital, espera uma alta de 50 pontos-base para a Selic em maio, e acha que há dois caminhos possíveis para as reuniões seguintes: um novo aumento de 50 pontos em junho, ou dois aumentos de 25 pontos, um em junho e outro em julho, a depender da abordagem que o Banco Central vai preferir adotar.
Ele espera que as taxas de DIs mantenham-se em níveis elevados nos próximos dias, e pontuou que, além das preocupações com o cenário fiscal do Brasil, há receios com a possibilidade de mais tarifas de importação serem adotadas pelos Estados Unidos e aumentarem a pressão inflacionária por lá, com efeitos sobre a curva de juros americanas e repercussão sobre os juros de outros países.
A taxa do contrato de DI para janeiro de 2026 subiu a 15,115%, de 15,030% no ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2027 aumentou a 15,060%, de 14,904%, e a taxa para janeiro de 2029 avançou a 14,820%, de 14,727%.
(Com Agência Estado)
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