Sogra e nora. A combinação dessas duas palavras já é suficiente para despertar desconforto, medo ou, em muitos casos, lembranças dolorosas. Não é à toa que o tema gera tanta repercussão nas redes sociais, rodas de conversa e, claro, nos consultórios de terapia. Afinal, por que esse relacionamento tão importante ainda é cercado por rivalidades, disputas veladas e mágoas silenciosas?
Depois de tantos anos ouvindo histórias, acolhendo dores e tentando costurar vínculos que foram mal começados, posso afirmar com convicção: sogra não é rival, mas também não é mãe da nora. E nora não é filha, mas também não precisa ser inimiga. O que falta, na maioria das vezes, são limites claros e funções bem definidas.
O erro começa quando o filho — geralmente um homem — nunca aprendeu a se separar emocionalmente da mãe. Cresceu ouvindo que era o “príncipe”, o “homem da casa”, e passou a acreditar que poderia construir uma nova família sem romper os laços simbólicos com a anterior. E aqui está o problema: não se constrói uma casa nova com as portas escancaradas para interferência constante da antiga.
A rivalidade entre sogra e nora nasce, muitas vezes, de uma disputa por espaço emocional. A sogra sente que perdeu seu lugar de rainha. A nora sente que nunca terá seu espaço de direito. O filho, no meio disso tudo, se cala. E o silêncio dele grita nas atitudes, nas omissões, nos convites recusados ou nas visitas obrigatórias de domingo.
Mas esse conflito não precisa ser inevitável. O que falta, na maioria dos casos, é maturidade. Não apenas dos casais, mas também dos pais. É preciso entender que filho não é posse. Que um presente dado com cobrança vira dívida emocional. Que ajudar não é o mesmo que controlar. E que amor de verdade é aquele que liberta, não o que prende.
Família é lugar de apoio, não de competição. Quando a sogra tenta ser mais presente do que a própria esposa, ou quando a nora quer apagar a história do marido com sua mãe, todos saem perdendo. O casamento vira campo de guerra. A saúde mental adoece. Os netos crescem em meio a lealdades divididas.
A boa notícia é que dá para mudar. Terapia, autoconhecimento e inteligência emocional são ferramentas poderosas para quebrar esse ciclo. Porque, sim, é possível que sogras e noras se respeitem, se apoiem e até se tornem amigas. Mas isso só acontece quando cada uma sabe exatamente o seu lugar — e aceita ocupá-lo com amor e equilíbrio.
Como costumo dizer em consultório: não existe sogra boa ou nora perfeita — existe gente disposta a amadurecer. E a maturidade, por mais dura que seja, sempre será o caminho mais saudável para qualquer relação.
(*) DULCI LONI é Psicóloga especialista em relações familiares.
Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br
Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.
Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.
Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.