"Hoje o foco é total nas tarifas", diz o estrategista-chefe do Grupo Laatus, Jefferson Laatus. "Saiu uma nota da China proibindo empresas chinesas de investir nos Estados Unidos. A guerra começou", acrescenta Laatus.
Neste cenário de incertezas, investidores seguem aproveitando alguns preços atrativos na B3. Em março entraram R$ 3,118 bilhões em recursos internacionais na Bolsa brasileira. Com isso, o acumulado do ano até março atingiu o R$ 10,642 bilhões, sendo a melhor marca em três anos.
"O diferencial de juros entre EUA e Brasil tem ajudado bastante. O dólar abaixo de R$ 6 em grande medida reflete isso. O diferencial pode continuar favorecendo o Brasil", pontua Carlos Lopes, economista do banco BV. Enquanto nos EUA a expectativa é de corte dos juros, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve seguir aumentando a Selic, que está em 14,25% ao ano.
Antes da divulgação do tarifaço norte-americano, o mercado avalia a queda de 0,1% na produção industrial brasileira em fevereiro, o que contrariou a mediana das expectativas, de alta de 0,2%. Ainda fica no radar a participação do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em evento de 60 anos do BC, que terá a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva às 14h30, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
No exterior saiu nesta manhã a pesquisa ADP de emprego no setor privado dos EUA, que mostrou geração de 155 mil postos de trabalho em relação à previsão de criação de 123 mil, antes do relatório oficial payroll, na sexta-feira.
Por ora, no geral os mercados aguardam as tarifas de Trump. A equipe do presidente dos Estados Unidos considera três opções para sobretaxas recíprocas: tarifa universal de 20%, tarifas recíprocas por país ou uma tarifa reduzida para um grupo específico de nações.
"Há muita incerteza em torno do que Trump entende por reciprocidade. Ainda não se sabe se a reciprocidade será adotada de maneira universal", pontua em nota a LCA 4Intelligence. O cenário-base da consultoria pressupõe um aumento seletivo e moderado de tarifas, com impactos contidos e transitórios sobre a atividade e a inflação nos Estados Unidos.
Aqui no Brasil, o governo do presidente Lula aguarda de forma apreensiva os anúncios de tarifaço amplo pelo governo americano. O Brasil seguirá insistindo na negociação em relação às possíveis novas tarifas. Ontem, o Senado aprovou o PL da Reciprocidade, permitindo ao Brasil reagir a barreiras comerciais dos EUA. O projeto segue para a Câmara.
Ontem, o Ibovespa fechou em alta de 0,68%, aos 131.147,29 pontos.
Às 11h22 desta quarta-feira, o Índice Bovespa caía 0,41%, aos 130.606,92 pontos, depois de subir 0,21%, na máxima aos 131.423,84 pontos. Na mínima marcou 130.392,60 pontos (-0,58%), vindo de abertura em 131.150,68 pontos.
O petróleo operava instável, mas as ações da Petrobras recuavam entre 0,62% (PN) e 0,54% (ON), enquanto Vale tinha declínio de 0,47%, apesar da elevação de 1,09% do minério de ferro hoje em Dalian. A maior retração do setor de metais era CSN ON (-4,22%). Entre os grandes bancos, só Unit de Santander subia (1,16%).
(Com Agência Estado)
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