Aluno do 5º ano em uma escola particular de Cuiabá, Otávio, 11 anos, é autista nível 2 e, como tantas outras crianças atípicas, enfrenta desafios diários para acompanhar o ritmo da escola. Até o ano passado, os momentos em sala de aula eram marcados por sofrimento: dificuldade de regulação emocional, resistência a combinados e barreiras para o aprendizado.
A mudança, no entanto, começou a acontecer em 2025, com a ampliação das terapias. Otávio passou a frequentar sessões de psicopedagogia e de Análise do Comportamento Aplicada (ABA), além das terapias que já fazia. O impacto positivo foi quase imediato. “Depois que ele passou a fazer a parte comportamental e pedagógica na Clínica Vital Kids, ele melhorou muito. Ainda tem dias de desorganização, mas está bem melhor. Ele precisa de rotina e previsibilidade”, conta a mãe, Jarcélia Sousa Silva.
Ela é farmacêutica e acompanha de perto a rotina intensa do filho, que estuda à tarde e faz sessões de reabilitação durante as manhãs, três vezes por semana. A escola confirma a evolução. Para a diretora pedagógica da Escola Presbiteriana de Cuiabá, Gislene Rage Curvo, o progresso de Otávio é visível. “No caso dele, o currículo é adaptado para que ele aprenda o mesmo conteúdo da turma, mas com uma linguagem acessível.
A evolução acontece passo a passo. A participação da família e o suporte terapêutico são fundamentais para que a inclusão aconteça de verdade”, destaca. Essa é a lógica defendida pela doutora em Transtornos do Desenvolvimento e fisioterapeuta Camila Albuês e o publicitário Clayton Torres, idealizadores da Clínica Vital Kids.
Pais de duas crianças com transtornos de aprendizagem – um menino com autismo e uma menina com dislexia –, eles sabem, pela experiência própria, que nem sempre a presença de um cuidador garante progresso escolar. “Infelizmente, muitas vezes o acompanhante terapêutico vira uma espécie de babá. E isso impede que a criança desenvolva suas habilidades”, lamenta Clayton.
A partir dessas vivências, o casal decidiu criar uma série de programas voltados à formação escolar de crianças atípicas, com foco no desenvolvimento real de habilidades cognitivas e comportamentais. São iniciativas que se somam ao trabalho terapêutico da clínica, mas com um olhar específico para a escola como ambiente de construção de autonomia.
Programas de aprendizagem O “Class Suport” é um dos programas oferecidos pela Vital Kids. Nele, crianças e adolescentes são treinados para aplicar suas habilidades no contexto escolar. Há versões mais curtas, com três sessões por semana, e programas intensivos, que trabalham desde noções básicas até o uso de tecnologia assistiva para promoção da autonomia. “É mais do que reforço escolar. É um trabalho com base em neurodesenvolvimento, com foco em habilidades como memória de trabalho, atenção e raciocínio.
A gente prepara o cérebro da criança para que ela aprenda”, explica a doutora. Outro serviço, o “After School”, funciona como um contraturno escolar dentro da clínica, com apoio na lição de casa, atividades esportivas e sociais. Aberto também a crianças típicas, o programa oferece um ambiente estruturado para o desenvolvimento cognitivo e físico. E, para ajudar as escolas a se tornarem verdadeiramente inclusivas, foi criada a “Consultoria Escolar”.
A ideia é que os profissionais da clínica acompanhem o cotidiano das instituições, oferecendo planos de ação individualizados. “Estar na escola não é sinônimo de inclusão. Nossa consultoria é para ajudar a escola a gerar aprendizado, não só acolhimento. A gente acredita que reabilitação só funciona se for integrada ao processo educacional”, resume Camila.
Um passo de cada vez A Vital Kids tem mais pacientes com transtorno de aprendizagem na Escola e mantém um programa de apoio pedagógico voltado a esse público e acredita que, para incluir de verdade, é preciso ajustar metodologias, treinar professores e ouvir os pais. “Crianças com autismo, com TDAH, com síndromes genéticas, todas podem aprender. Mas é necessário planejamento, escuta e uma rede de apoio. Isso vale para elas e também para os alunos típicos, que têm o direito de estudar em ambientes onde todos aprendem”, afirma Camila.
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