Sexta-Feira, 16 de Outubro de 2020, 08h:36

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Pedro D Alcântara: um artista mineiro em terras cuiabanas

Por: NEILA BARRETO

ARQUIVO PESSOAL

NEILA BARRETO

As famílias de migrantes e imigrantes, muitos, construíram uma Cuiabá de 300 anos. Dentre várias, destacamos, José Pedro de Alcântara, artista plástico, mineiro, nascido em Madre de Deus de Minas-MG, a 19 de outubro de 1940, filho de Geraldo Cristino de Oliveira e de Olinda Maria Pontes. Migrante chegou a Cuiabá em 1993 casado com Maria Aparecida de Alcântara, pais de José Pedro de Alcântara Júnior e, por aqui permaneceu até o seu falecimento, em 15 de junho de 2000.

O pequeno menino de Madre de Deus tomou gosto pela arte em manifestações espontâneas no seminário da Congregação do Verbo Divino, em Borda do Campo – MG onde estudou, dirigido por padres da igreja católica mineira e, foi conduzido à pintura, pelas mãos firmes de um professor - padre alemão. Enquanto aluno, só tinha um pensamento: educação, religião e artes. Foi trilhando esse caminho que ele descobriu a sua verdadeira vocação: apenas artes plásticas, inspirando os seus trabalhos em terras e culturas mineiras.

E como fazer para estudar artes plásticas? Ele resolveu enfrentar esse caminho com altivez. Arregaçou as mangas e foi trabalhar na área de arquitetura fazendo pequenos projetos para sobreviver e dar os seus primeiros passos na carreira escolhida, mantendo sempre o foco de tornar a sua “arte de pintar”, cada dia mais forte.

Até que em 1972, rompeu com tudo e dedicou a sua vida somente a arte. E o retorno financeiro? Ele não teve dúvidas, partiu para os espaços livres mineiros e iniciou as suas primeiras exposições na feiras e praças públicas mineiras.

Auditada, o primeiro local escolhido foi a "Feira de Arte" da Praça Liberdade, em Belo Horizonte - MG. E lá o jovem artista recebeu o seu primeiro incentivo, vindo de um empresário mineiro, chamado Milton Verçosa, um renomado e conhecido admirador das artes plásticas que ofereceu, simplesmente, a sua galeria para que José Pedro fizesse a sua primeira exposição. Quanta alegria! Quanto prazer! Quanta satisfação! A sua autoestima lhe proporcionou belos trabalhos, logo reconhecidos e, a partir daí não parou mais de pintar e de expor, em diversas terras brasileiras e no exterior.

Colhendo experiências, vendo o seu trabalho e o seu nome ser reconhecido, perpassou pelas fases abstrata, evoluiu do figurativo ao abstrato sem sair do tom e, segundo alguns críticos e o seu trabalho foi comparado aos mestres do abstracionismo, tais como, Manabu Mabe, um pintor, desenhista e tapeceiro japonês naturalizado brasileiro. Pioneiro do abstracionismo no Brasil, falecido em 22 de setembro de 1997, em São Paulo-SP e Tamotsu Fukuda e Roberto Kenji Fukuda.

Rodou com os seus trabalhos em exposições no Brasil, em galerias, indo do Rio de Janeiro, Governador Valadares, Vitória da Conquista, Brasília, Goiânia, além de várias exposições em Cuiabá e Várzea Grande até, alçar voos maiores, alcançando o exterior, como em Lile, na França, Nova York – Estados Unidos, África do Sul, Canadá, Equador, Inglaterra, Israel, Japão, Portugal e Suíça. 

Segundo a jornalista Miriam Botelho, em publicação no jornal Diário de Cuiabá, Alcântara tem “ no ecletismo e evolução as tônicas da sua exposição. O artista, nesses últimos anos, vem aumentando a expressividade dos seus traços, com obras de um abstracionismo equilibrado, e um cromatismo ímpar”. Para ela, “ a modernidade de sua obra, no período pesquisado, havia conseguido agradar, mesmo, aqueles que sentiam pouca afinidade com a arte moderna”, conclui em seu texto, hoje memória.

O talento de Alcântara, caracterizando a sua pintura numa linha impressionista, com pinceladas firmes e audazes, quase expressionista, rumo ao movimento do futurismo, lhe rendeu um convite para participar, em Londres, da coletiva Coming House.

Suas obras estão espalhadas em coleções particulares e públicas na África do Sul, Alemanha, Argentina, Canadá, Japão, Portugal, França, Inglaterra e Suíça.

Por todo o seu trabalho, a sua criatividade, a sua dedicação, em 1992, tomou posse na Academia Brasileira de Belas Artes, na Cadeira número 15, com medalhas de honra, no Rio de Janeiro ´RJ.

 

(*) NEILA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotíciasE-mail: neila.barreto@hotmail.com

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1 Comentários

José Pedro D´Alcântara Jr. - 17/10/2020

Venho através desse comentário agradecer todos os envolvidos na publicação dessa matéria, em especial à Jornalista Neila Barreto, pelo carinho, dedicação e cuidado em narrar toda a história de vida do meu pai, tanto no aspecto pessoal quanto profissional. Nós, familiares e amigos, ao correr os olhos no texto somos tomados por uma emoção extrema, porque a narrativa rememora a arte trazida pelo D´Alcântara desde a sua infância e traduz profundamente o seu espírito efervescente, composto por inspiração, dom e sacerdócio. O seu artigo fica registrado na trajetória do artista e faz reviver o seu nome, principalmente para as futuras gerações, já que no último dia 15 de junho fez 20 anos do seu falecimento e no próximo dia 19 de outubro de 2020, ele completaria 80 anos. Um cordial abraço!

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