Quarta-Feira, 01 de Julho de 2020, 15h:30

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Devido ao coronavírus, advogado diz que pedirá relaxamento da prisão de Teis

Por: LUIS VINICIUS

O advogado Diógenes Curado, que faz a defesa do conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Waldir Teis, preso pela Polícia Federal na manhã desta quarta-feira (1º), informou que pedirá o relaxamento da prisão, junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), ainda hoje. A justificativa, de acordo com o causídico, seria de que Teis possui 75 anos e está no grupo de risco, ou seja, pessoas mais suscetíveis a contrair a Covid-19, o coronavírus.

Marcos Lopes/HiperNotícias

Diógenes Curado

 Diógenes Curado, advogado do conselheiro afastado, Waldir Teis

O advogado afirmou ao HNT/HiperNotícias que tentará o relaxamento com base na resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que prevê o relaxamento da prisão preventiva para pessoas do grupo de risco.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), durante a Operação Gerion - 16ª fase da Ararath, deflagrada no dia 17 de junho, Waldir Teis desceu correndo 16 andares de um prédio para tentar jogar cheques em uma lixeira. A atitude, segundo o órgão, configurou como uma tentativa de embaraçar as investigações da ação policial.

Curado explicou à reportagem que desde a deflagração da operação, Teis já desconfiava de uma possível prisão preventiva, entretanto o advogado foi enfático ao negar que o conselheiro já estaria sabendo que seria detido. 

"Desde os fatos (a operação deflagrada), já havia essa desconfiança, mas a certeza foi hoje de manhã. A própria Polícia Federal me comunicou que já estava com o mandado em aberto e em menos de uma hora, ele (Waldir Teis) já estava lá se apresentando", disse. 

Curado afirmou que após a deflagração da Operação Gerion, Teis se apresentou espontâneamente para prestar depoimento à Polícia Federal e ao MPF e explicar a suposta tentativa de embaraçar as investigações. O advogado informou que os cheques, que somados chegam a R$ 450 mil, são legais, mas o conselheiro afastado ficou com receio de um possível envolvimento de familiares. 

"Nós já explicamos essa situação à Polícia Federal. O conselheiro foi lá explicou o que era e o porque ele fez aquilo (tentar descartar os cheques). O conselheiro está sofrendo muito por causa de tudo isso e consequentemente a família. Ele não queria colocar a família no problema. Isso foi desnecessário, pois a prova era lícita. Essas provas eram absolutamente legais", pontou. 

Por fim, o advogado explicou que após o depoimento, Teis foi levado ao Centro de Custódia de Cuiabá (CCC), onde ficará à disposição da Justiça. Ele ficará em uma sala de Estado Maior, locais que são destinados a desembargadores.

Na terça-feira (30), Teis foi denunciado pelo MPF por crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro. 

Operação Gerion

A "Operação Gerion" foi deflagrada no dia 17 de junho e teve como alvos, além de Teis, o também conselheiro afastado José Carlos Novelli.

Ao perceber a chegada dos agentes, Teis teria descido o prédio para descartar folhas de cheques na lixeira. De acordo com o MPF, toda ação foi filmada e fotograda. Após o fato, o ministro Raul Araújo, relator da Operação Ararath no Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou a prisão do conselheiro afastado.

Na investigação, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal identificaram que os cheques, que juntos somam mais de R$ 450 mil, são de empresas ligadas à organização criminosa da qual o conselheiro é suspeito de integrar.

Na decisão, o ministro Raul Araújo apontou indícios de materialidade e autoria dos crimes investigados e decretou a prisão preventiva do conselheiro do TCE/MT para a garantia da ordem pública, para a conveniência da instrução criminal e também pelo perigo gerado pelo investigado contra a elucidação dos fatos.

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