Sábado, 30 de Novembro de 2019, 08h:00

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“Não tem como segurar, vou ter que aumentar o preço”, diz dona de restaurante

Por: KHAYO RIBEIRO

Os sucessivos aumentos no preço da carne têm despertado inquietação em muitos mato-grossenses. Proprietária de um restaurante no bairro Alvorada, em Cuiabá, Maria Isabel Almeida, aponta que reduziu 80% o volume de carne comprada diariamente após as atualizações semanais no valor do produto. Ao HNT/HiperNotícias, a empresária adiantou que uma das medidas que serão implementadas é a alteração no preço das marmitas: “Não tem como segurar, vou ter que aumentar o valor”.

Assessoria

Restaurante Urus_Carne

 Imagem ilustrativa

À reportagem, a proprietária do restaurante Segunda Kaza, onde também é chefe de cozinha, conta que antes das atualizações no valor da carne comprava uma média de 15 kg de coxão mole. Hoje, com a nova tabela de preços, a empresária reduziu o volume para apenas 5 kg.

“Não dá com esse valor. Eu pagava R$ 8,90 na costela, por exemplo. Hoje, o preço já está em R$ 16,90. Como comprar com esses valores? Não tem como”, conta Isabel. Os apontamentos da empresária vão ao encontro do desconforto vivenciado pela população nos açougues durante os últimos meses.

As atualizações no preço da carne vermelha alteraram a lógica interna do comércio de carnes como um todo. Uma vez que o quilograma bovino aumentou, a procura por aves e suínos também disparou. Dessa forma, todo o mercado de carnes apresentou elevações.

Nesse sentido, o presidente do Sindicato dos Frigoríficos (Sindfrigo), Paulo Bellincata, apontou que existem alguns fatores que podem ter contribuído para o aumento no valor da carne vermelha.

Palácio do Planalto

Brasil China acordo carnes

 Registro do encontro entre os presidentes Jair Bolsonaro e Xi Jiping

Um dilema chinês

O aumento no valor do dólar – que está cotado em R$ 4,24 -, um rebanho brasileiro diminuído e uma elevação da demanda por parte da China são alguns dos tópicos listados para a alta no preço da carne.

Conforme levantamento da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigos), as exportações para a China aumentaram em 110% neste ano quando comparado a 2018. O aumento das exportações enxuga parte das reservas brasileiras.

“Notícias de que a China importará búfalo da Índia e proximidade de um acordo com Estados Unidos amedrontam importadores e precisam estar no radar da indústria brasileira. Se houver um recuo em preços, e se o dólar voltar apenas um pouco, será suficiente para os atuais preços da arroba trazer prejuízo para a indústria”, pontuou o presidente do Sindfrigo.

Caminho sem retorno

A previsão para um retorno nos valores praticados anteriormente pelo mercado, segundo a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, está descartada. Para ela, a atualização nos preços é o resultado de uma estagnação de três anos no setor.

“[O preço da carne] vai ter uma estabilização, não vai ter mais essas puxadas. Mas não tem perigo de voltar ao que era. Mudou o patamar. Já tinha mudado o da soja, do milho. A carne ficou por três anos com valor muito baixo. Isso faz com que o mercado sinta mais essa subida”, sinalizou a ministra.

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