Quinta-Feira, 02 de Julho de 2020, 10h:25

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“É melhor fechar bares que fechar caixões”, diz ex-secretário de Saúde

Por: RAYNNA NICOLAS

Marcos Lopes/HiperNotícias

Ato Político/público/Associação Médica de Mato Grosso /médicos/Werley Peres

 "Como médico e ser humano tenho que defender o direito à vita", frisa ex-secretário de Saúde de Cuiabá

O ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Werley Silva Peres, protocolou um pedido no Ministério Público Federal (MPF) nesta quarta-feira (01) para que seja decretado lockdown com medidas mais rígidas de confinamento em Cuiabá e Várzea Grande. Werley, que é médico e atua em hospitais da região metropolitana no atendimento a pacientes contaminados, ressaltou que a situação dos sistemas de saúde público e privado de Mato Grosso é dramática em decorrência da pandemia de Covid-19, o coronavírus. Em um apelo emocionado, o médico refletiu as faltas de condições enfrentadas pelos profissionais da saúde em um sistema colapsado e o crescente número de vidas perdidas para a doença.

 
"Como médico e ser humano tenho que defender o direito à vida e também dar condições dignas de assistência àqueles que estão doentes. Infelizmente em uma situação tão grave, é melhor fechar ruas, bares, lojas, shoppings e escritórios, que fecharmos tampas de caixões. A vida é o bem mais precioso e todos têm direito a ela", publicou ele em sua página no Facebook. Até a manhã desta quinta, sua publiação já tinha alcançado mais de 200 compartilhamentos.
 
O ex-secretário argumenta que as redes de urgência e emergência da Capital e Várzea Grande já estão em colapso e não há capacidade para absorver a demanda de pacientes infectados com o novo vírus e que, como acontece em outras cidades e Estados do Brasil, os medicamentos necessários à manutenção dos leitos de UTI também poderão entrar em falta. 
 
"Já temos relatos de pessoas morrendo com Covid em casa sem conseguir acesso à rede de saúde e até dentro das unidades em razão de não termos nem material tampouco corpo clínico para responder em tempo a demanda absurda dentro das unidades de urgência e emergência da região metropolitana", diz.
 
O médico defende que a única forma de frear a contaminação e achatar a curva da Covid-19 é o lockdown completo, com fechamento de todas as atividades não essenciais. "Se não diminuirmos a circulação de pessoas nas ruas e as aglomeraçõs rapidamente, teremos um número de óbitos absurdo nos próximos 45 dias", alerta.
 
Cuiabá e Várzea Grande, por estarem classificadas na Matriz de Risco do Estado como "risco muito alto" para o contágio do coronavírus, atualmente estão em "quarentena obrigatória". Na última semana, após uma decisão judicial da 1º Vara de Fazenda Pública, os dois municípios restringiram as atividades comerciais não essenciais e a circulação de pessoas. No entanto, ao HNT/HiperNotícias, o médico pontuou que a ação não foi suficiente.
 
"Na prática, está todo mundo na rua, os comércios estão funcionando. Infelizmente não teremos esse reflexo claro de diminuição dos casos por conta disso, ainda temos um movimento muito grande nas ruas. Eu não posso ser omisso, em uma situação tão crítica, não podemos ignorar que não temos um remédio que seja eficaz contra o vírus, não temos vacina, temos a população adoecendo e com recursos poucos dentro do sistema de saúde público e privado. Ou a gente para tudo ou vamos seguir contando mortos, relatos tristes que eu presencio, mas que está causando um avassalador adoecimento, não só pelo fato da doença, mas também pelo fator psicológico. Se não tomarmos medidas enérgicas agora, os próximos 45 dias serão os piores dias da história do Estado de Mato Grosso nos últimos 200 anos", afirmou, lembrando que, mesmo os pacientes tratados com as medicações amplamente divulgadas, nem sempre apresentam melhoras.
 
Situação epidemiológica em Mato Grosso
 
Na noite dessa quarta-feira (01), em mais um dia de aumento vertiginoso de confirmações e óbitos por Covid-19, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) informou que Mato Grosso ultrapassou a marca de 17 mil e 400 infectados pela doença. Juntas, Cuiabá e Várzea Grande somam 5.569 dos casos. No Estado, 665 vidas foram interrompidas em decorrência das complicações do novo vírus. 
A Pasta informou ainda que 223 pessoas estão internadas em leitos de UTI da rede pública de saúde, o que acarreta uma ocupação de 92,9% nas Unidades de Terapia Intensiva.
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