Quarta-Feira, 05 de Agosto de 2020, 14h:10

Tamanho do texto A - A+

Cacique Aritana morre em Goiânia, vítima de coronavírus

Por: RAYNNA NICOLAS

O cacique Aritana Ywalapiti morreu na manhã desta quarta-feira (05), vítima da Covid-19. Ele estava internado desde 22 de julho em um hospital de Gôiania. Aritana era um dos principais líderes indígenas do Alto Xingu. 

Reprodução

cacique aritana

 

A morte foi confirmada por familiares do cacique. Nas redes sociais, o senador Carlos Fávaro (PSD) lamentou a partida de Aritana. "Hoje o coração do Xingu, no nosso Mato Grosso, bate mais fraco. Perdemos o cacique Aritana Yawalapiti. Mais uma vítima da Covid-19 que representa uma grande perda para o Brasil, Mato Grosso e todos os povos indígenas", escreveu. 

O governo de Mato Grosso também se manifestou sobre a morte do cacique "É uma enorme perda para Mato Grosso. Aritana era um grande ativista e dedicou sua vida em defesa da cultura e dos direitos indígenas. Nossa solidariedade à família, aos amigos e a toda a comunidade indígena por esse momento de dor”, afirmou o secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho.

O líder indígena, de 71 anos, chegou a ser atendido em Canarana (832 km de Cuiabá), mas com a evolução do quadro, e o diagnóstico de Covid-19, precisou enfrentar o translado de nove horas até Goiânia em uma UTI móvel. Na ocasião, Aritana tinha 50% dos pulmões comprometidos. Nesta quarta, o cacique não resistiu às complicações da doença e veio a óbito.

De acordo com os dados da "Emergência Indígena", uma iniciativa da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), que acompanha a pandemia de Covid-19, 633 índios já foram vítimas do coronavírus. 148 povos teriam sido atingidos, com 22.325 confirmações ao todo. 

Os dados do Governo Federal, no entanto, são mais modestos. Segundo o Ministério da Saúde, são 16.509 confirmações e 294 óbitos. Somente no Xingu, seriam 139 infectados e quatro óbitos até a última terça-feira (04). 

Trajetória

Na década de 50, Cacique Aritana conheceu os irmãos Villas-Bôas e trabalhou ativamente ao lado de Cláudio e Orlando Villas-Bôas para a criação do Parque Nacional do Xingu. 

O último falante do idioma tradicional de seu povo, Aritana assmiu a chefia dos Yawalapiti ainda na década de 80 e atuou na defesa dos direitos indígenas, demaração de terras, preservação ambiental, saúde e educação. 

(Com informações Reuters)

Avalie esta matéria: Gostei | Não gostei