Terça-Feira, 30 de Junho de 2020, 18h:35

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Após aumento no número de mortes, governo cria grupo para reduzir a propagação de Covid-19 em territórios indígenas

Por: REDAÇÃO

O Governo do Estado instituiu, nesta terça-feira (30), o Grupo de Trabalho Central para desenvolver ações de monitoramento e estratégias para reduzir a propagação da Covid-19, o coronavírus, nos territórios indígenas em Mato Grosso. A ação vem de encontro ao crescimento súbito de mortes pela doença em territórios indígenas no Estado, só na comunidade Xavante, na região de Barra do Garças (512 km de Cuiabá), 25 índios perderam a vida para o novo vírus desde o início da pandemia. 

Marcello Casal Jr/Agência Brasil

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O grupo de trabalho será coordenado pelo secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho, que explicou que o objetivo é dar subsídios para que as Secretarias de Saúde Estadual e Municipais, Distritos Sanitários Especiais Indígenas, Ministério da Saúde e a Fundação Nacional do Índio (Funai) possam atuar de forma mais célere e específica no enfrentamento da pandemia no interior das aldeias.

“O Governo sempre teve grande preocupação com o avanço do coronavírus entre os indígenas e esse grupo de trabalho foi criado para que possamos desenvolver ações integradas, tendo como base pesquisas desenvolvidas por instituições reconhecidas, como a Unemat e a UFMT. O grande objetivo é evitar que uma tragédia aconteça”, pontuou Carvalho.

Em Mato Grosso, existem sete Distritos Sanitários Especiais Indígenas: do Araguaia, Cuiabá, Kayapó-MT, Xavante, Xingú, Porto Velho e Vilhena. Conforme o decreto 537/2020, o trabalho será o de acompanhar, articular e apoiar a implementação dos Planos de Contingência Distritais, nas ações que requerem maior urgência para a contenção da contaminação da Covid-19 no interior das aldeias.

A deputada federal Rosa Neide, que será a representante da bancada federal no grupo, informou que o calendário de ações e reuniões já está sendo implementado, para garantir celeridade no acompanhamento, orientação e controle das estratégias junto aos órgãos competentes.

“Os trabalhos já tiveram início, pois o governador Mauro Mendes sempre demonstrou essa preocupação. Agora com a instituição oficial do grupo queremos alinhar essas questões também com a Frente Parlamentar dos Povos Indígenas, por isso, trabalhamos para uma reunião ampliada o mais breve possível, junto com a bancada federal de Mato Grosso. Quanto mais alinhados estivermos em nível nacional, melhor será o desempenho na busca da redução dos casos de coronavírus nos territórios indígenas”, concluiu a parlamentar.

O grupo também contará com o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, e por representantes da Secretaria Especial de Saúde Indígena/Distritos Sanitários Especiais Indígenas; Conselhos Distritais de Saúde Indígena – CONDISI; Fundação Nacional do Índio - FUNAI Coordenação Regional Cuiabá; Universidade do Estado de Mato Grosso - UNEMAT; Universidade Federal de Mato Grosso - UFMT; Federação dos Povos Indígenas de Mato Grosso - FEPOIMT; Bancada Estadual de Deputados; Associação Mato-grossense dos Municípios; Conselhos de Secretários Municipais de Saúde; e da Sociedade Civil Organizada.

Indígenas temem ser dizimados pelo coronavírus

Em entrevista ao HNT/HiperNotícias, o líder Xavante Rafael Wérée, que reside na aldeia São Marcos, localizada entre os municípios de General Carneiro e Barra do Garças, afirmou temer pelo futuro da comunidade com o advento da pandemia. 

“Meu povo está sendo dizimado com o coronavírus e nenhum protocolo está sendo aplicado para o povo Xavante. Nenhuma orientação do que se deve fazer o que não deve fazer, meu povo senti apenas a dor da perda e o medo pela própria vida. Não tem médico, nem estrutura, nem uma campanha sendo feita para ajudar, é triste”, desabafou o neto do Cacique Mario Juruna, o primeiro deputado federal indígena do Brasil, falecido em 2002. 

Atualmente, segundo Rafael, a população Xavante é de cerca de 23 mil pessoas, divida em nove territórios, com mais de 300 aldeias, constituindo-se como a quarta maior população indígena do País. O líder ainda declarou que os indígenas sofrem com a falta de insumos básicos, como dipirona, e outros remédios para tratar doenças como hipertensão e diabetes, o que leva os índios à cidade, aumentando o risco de contaminação. 

“Estamos sobrevivendo de doações, várias pessoas doaram máscara que vão vir de Goiânia. Mais precisamos de luva, avental e medicamentos. Toda ajuda é bem-vinda”, reforçou. 

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