Quarta-Feira, 05 de Agosto de 2020, 20h:02

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Adolescente morta revelou à mãe relacionamento "tóxico" de amiga

Por: FOLHAMAX

Jefferson Oliveira/Estadão MT

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A empresária Patrícia Hellen Guimarães Ramos, mãe da estudante Isabele Guimarães Ramos, de 14 anos, que morreu no último dia 12 de julho em uma mansão no condomínio Alphaville 1, em Cuiabá, revelou que a amiga da filha e autora do disparo tinha um relacionamento "tóxico" com o namorado. A situação teria afetado a amizade das duas, mas não teria gerado nenhum tipo de desavença que poderia ter gerado a tragédia dentro da casa.

Segundo Patrícia, desde o fim do ano passado, sua filha vinha se aproximando mais da irmã gêmea de adolescente de 14 anos que namorava o garoto de 16. "A [autora do disparo] começou a mudar após começar a namorar, ficando bastante distante de Isabele, que se aproximou da irmã da [autora]. Isabele contava que o relacionamento da [amiga] era tóxico, pois o [namorado] era muito ciumento e possessivo. Que a declarante [Patrícia Ramos] sabe que o [namorado] ia quase diariamente na casa da [amiga de Isabele], pois sempre via o casal andando pelo condomínio”, diz trecho da oitiva.

Apesar dessa informação, a empresária negou qualquer tipo de conflito entre a filha com a autora do disparo ou o namorado dela, que foi quem levou a arma até a mansão no dia do crime. "Sua filha era amável e não se envolvia em conflitos", diz o depoimento da empresária, prestado no último dia 21 de julho na Delegacia Especializada do Adolescente (DEA) e obtido pelo FOLHAMAX.  

DIA DO CRIME

No depoimento, a empresária contou que Isabele foi para casa da amiga por volta das 14 horas no dia do crime. A residência fica a cerca de 500 metros da casa da vítima.

Por volta das 20h40 – aproximadamente 1h30 antes do crime - Patrícia ligou para Isabele pedindo que ela voltasse para casa. Em resposta à mãe, a jovem disse que retornaria para residência após a janta. “Isabele passou o dia na casa da amiga e as 20:43, a declarante [Patricia Ramos] olhou o telefone e ligou para filha, pedindo para ir embora. Isabele falou que estava preparando um risoto e que iria embora após a janta”, comentou.  

Na narrativa, Patrícia disse também que após chegar na residência e tomar ciência da morte filha, ela não conseguiu conversar com a autora do disparo, que, nesse momento havia saído para trocar de roupa na casa de outra pessoa.  “[A autora do disparo] não estava nesta hora e nem falou com ela após o acontecido, que posteriormente soube que **** havia ido levar a [amiga de Isabele] à casa dele e que ela teria trocado de roupa”, terminou.  

CONVERSA COM DELEGADO

A empresária ainda relatou a conversa que teve com o delegado Olímpio da Cunha, logo após o crime. Segundo ela, o chefe da equipe da DHPP que atendeu a ocorrência lhe informou que a morte da adolesente se tratava de um acidente. "Foi um acidente, que o 'case' caiu e a arma disparou de dentro do case", diz trecho do depoimento. 

Sem entender, a mãe de Isabele novamente perguntou como seria possível uma arma ter sido disparada de dentro do case. O delegado respondeu “é isso que não está crível”. "Que a declarante perguntou ao delegado Olímpio se ele iria fazer a declaração de XXX [menor suspeita de atirar], o que ele respondeu que ela estava abalada aquele dia e que achava melhor ser feito posteriormente a oitiva", diz outro trecho. 

O CASO  

Isabele Ramos foi atingida com um tiro no rosto por uma arma que estava sendo segurada pela amiga. Ela afirmou que a arma disparou acidentalmente após ela derrubar uma caixa plástica com duas 2 pistolas do pai. A adolescente informou em depoimento que as armas foram levada para a sua casa pelo seu namorado de 16 anos, na noite do crime.    

Os peritos indicam que o disparo teria sido feito na vítima numa distância entre 10 e 50 centímetros. A perícia também encontrou na face de Isabele vestígios de pólvora da pistola.   

Foram realizadas Buscas e Apreensões, com autorização judicial, a fim de localizar, apreender e preservar provas do crime. Foi realizada também perícia com aplicação de luminol para localizar possíveis manchas de sangue no local. Com esse agente químico (luminol), a perícia pode identificar, inclusive, manchas de sangue que eventualmente tenham sido limpas.    

Até agora, a Polícia Civil já ouviu mais de 20 pessoas - pelo menos sete estavam dentro da casa. Outras pessoas devem ser ouvidas nesta semana. Os delegados aguardam conclusão dos laudos de perícia do local.

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