Quinta-Feira, 02 de Abril de 2020, 07h:53

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Aonde me filiar para candidatar a vereador?

Por: SUELME FERNANDES

Reprodução

SUELME EVANGELISTA

Nesse sábado próximo, dia 04 de abril, encerra-se o prazo final determinado pelo TSE para filiação em partidos políticos e desincompatibilização dos pré-candidatos das gestões públicas, nos casos dos ordenadores de despesas, secretários municipais ou de estado, os demais cargos comissionados e não ordenadores, só precisarão se afastar depois das convenções.

Como brasileiro deixa tudo pra ultima hora, ainda mais em tempos de Covid 19, a correria e articulações estão varando a madrugada nas direções partidárias e entre os líderes políticos responsáveis por montar as chapas, especulações estão mil. Em nível nacional já começaram os debates sobre o possível adiamento das eleições municipais por causa da pandemia. 

Em todo caso, como diz o ditado “seguro morreu de velho” melhor é garantir as filiações de pronto do que esperar uma excepcionalidade por parte da justiça que até agora tem negado veementemente esse adiamento, pois mudaria o tempo de mandato de prefeitos e vereadores além de outras consequências políticas.

Não nos esquecendo que essas eleições serão diferenciadas pelo fato de não existirem mais as coligações horizontais entre partidos nas proporcionais, apenas nas chapas majoritárias. Então todo cuidado é pouco na hora de escolher sua sigla.

Não apontarei como passo inicial antes de escolher a sigla a necessidade de observar o conteúdo programático ou estatuto do partido, por julgar desnecessário e inútil essa dica, já que raramente alguém procura saber. Vamos ao pragmatismo do coeficiente eleitoral mínimo e dos cuidados com essas escolhas por parte dos pré-candidatos.

Como o quadro de filiações de vereadores no mandato usando a janela partidária já está definido, o tabuleiro fica um pouco mais claro, bem como, o perfil das chapas para a tomada de decisões.

Os pré-candidatos tem que começar a fazer suas contas eleitorais inúmeras vezes até se sentir seguro em relação a pelo menos dois aspectos: Se o partido consegue com os nomes que tem na chapa alcançar o coeficiente mínimo pra eleger ao menos um vereador; Se o pré-candidato individualmente consegue performar eleitoralmente bem pra ser  o mais votado no partido caso haja apenas uma vaga disponível.

Sugiro que os pré-candidatos não confiem apenas nas famosas listinhas de papel com nomes de possiveis concorrentes dos dirigentes partidários, porque quase sempre eles superestimam a votação individual e geral da chapa, para a mesma parecer mais competitiva e atrair  novos filiados.

Nessa fábrica de sonhos, a lábia é o seguinte, se o partido já tiver um vereador de mandato filiado, os cálculos gerais sempre elegerão dois, sendo o segundo deles você e se não tiver nenhum vereador, elegerá ao menos um, que também será você!

Desconfie da conta alheia, pesquise quem são esses nomes da listinha? Se vão concorrer de fato ? E se vão disputar nesse partido de fato? Investigue se realmente os nomes listados tem o potencial eleitoral projetado na listinha. 

Na dúvida, corte em 30% o potencial de votos apresentados de todos candidatos, inclusive os seus, pra tentar chegar num cenário conservador mais próximo possível da realidade eleitoral e de viabilidade de seu projeto eleitoral. Não se esqueça “papel aceita tudo”.

Uma dica é sondar seus possíveis adversários mais competitivos nos seus redutos eleitorais, até pra saber se dentro do seu tamanho eleitoral você cabe na mesma chapa que ele e se tem condições de derrota-los numa competição. E não se engane com o tal compromisso do “rodízio de mandato” como suplente, porque alguns partidos cumprem e outros não. E o pior, se assumir num rodízio, na prática “em muitos casos” na negociação com o titular você fica apenas com o salário de Vereador (e olhe lá) e não terá direito a quase nada no mandato: cargos no gabinete, na prefeitura, emendas e na maioria dos casos nem as verbas indenizatórias e a autonomia do voto nas votações da câmara você terá. Então trate de se eleger!

Nessas escolhas de partidos você pode na largada sair com meia eleição ganha para  vereador. Tem um certo candidato a deputado estadual que conheço que teve mais votos nominais que 3 deputados atuais empossados que se elegeram com votações  menores que a dele. Depois não adianta chorar sobre o leite derramado,  com toda certeza os vitoriosos fizeram as contas eleitorais pessoais, das coligações e das condições políticas melhores do que as desse meu amigo do peito.

Se conselho serve para alguma coisa, anote esse “ninguém gosta mais de você do que você mesmo”, seja sempre egoísta nessa hora de decidir seu destino, pois é seu CPF que estará em jogo, analise com parcimônia o que é melhor eleitoralmente para você e esqueça qualquer vantagem futura que não seja seu mandato legitimo. 

Os maiores adversários numa eleição para vereadores estão internamente no próprio partido é quase um “dormindo com o inimigo”. Isso passa a ser um problema durante a campanha, seja por causa de distribuição de recursos, que nunca são igualitários, pela desconfiança e ciumeira geral. Diz o dito popular que na política “ciúmes de homem é pior do que de mulher” então prepare-se!

São pitorescos os casos dos candidatos que sentindo-se ameaçados por seus concorrentes da própria chapa, na reta final, decidem invadir os redutos dos adversários usando todos os recursos lícitos e ilícitos para “explodir a chocadeira” de votos do seu concorrente. 

Quando analisar uma chapa completa, robusta, com musculatura competitiva, ela tem por regra geral: cabeça, corpo e rabo, ou seja, candidatos com maiores potenciais eleitorais de médio e pequeno desempenho de votos. A falta de uma dessas partes da chapa, seja com o número de candidatos total ou parcial, dependendendo da quantidade de vagas que o pré-candidato  deseja disputar, pode por em risco o projeto pessoal como um todo, ou até inviabilizá-lo. Cuide disso! 

Analise também as condições de estrutura do partido para auxiliar os candidatos como um todo e sua sustentabilidade geral, porque se no meio da corrida eleitoral parte do rabo e do meio da chapa, vendo que não terão estrutura e nem chances eleitorais desacelerarem o ritmo da campanha e até desistirem isso pode comprometer todo o projeto da chapa. Isso é muito comum em eleições municipais. 

Tem pessoas que põe nome nos partidos sem muita viabilidade eleitoral, atrás de alguma “ajudinha” no período da campanha pra pagar as contas de casa ou para apenas participar do processo. 

Portanto, confira e reconfira os nomes novamente, pois você não pode correr esse risco. Tem nomes no partido que nunca foram em nenhuma reunião preparatória então desconfie deles e da famosa listinha de papel dos dirigentes. Se possível acesse os dados eleitorais da última eleição no site do TRE-MT para checar os Potenciais eleitorais e nichos de votos de cada um deles.

Avalie de maneira racional o potencial dos candidatos a vereadores de mandato de sua chapa antes de filiar, pois com essa crise econômica que vivemos, infelizmente o peso da grana nas eleições pode aumentar muito, facilitando a vida daqueles que tem melhores condições financeiras. Nunca subestime quem está no mandato na disputa pela reeleição, por mais desgastes que possam ter tido, na média histórica, 60 a 70% das cadeiras das câmaras municipais permanecem, gostemos ou não, quem está no mandato “sabe o caminho das pedras” pra se eleger.

Por último, compre um kit saúde do pré-candidato: filtro solar, sapato novo, garrafa de água e um óleo de peroba, porque não teremos um clima muito favorável á politica nesse ano, pelas circunstancias da epidemia e da recessão econômica que se avizinha. Mas não desista de seus sonhos, pedir  voto é um aprendizado, uma prova de humildade que nos ensina muitas coisas boas, principalmente o que é política de verdade, o resto é teoria fajuta. Boa sorte nas suas escolhas, porque o jogo vai começar!

 

(*) SUELME FERNANDES é analista político e mestre em história pela UFMT. Siga no Instagram @suelmefernandes

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